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Três alunos do 11.º ano do Agrupamento de Escolas Carlos Amarante alcançaram o 2.º lugar, a nível nacional, no prestigiado concurso escolar Prémio Aristides de Sousa Mendes.

Promovida pela Associação Sindical dos Diplomatas Portugueses, em parceria com o Museu Aristides de Sousa Mendes e o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA, I.P.)  a edição deste ano desafiou os estudantes do Ensino Secundário a realizarem uma reflexão sobre a “Diplomacia e os Direitos Humanos em Contexto de Conflitos Armados e/ou regimes totalitários“. A iniciativa visa sensibilizar as novas gerações para a tolerância e para a justiça social, honrando o legado do corajoso diplomata português que salvou mais de 30 mil pessoas da perseguição Nazi em 1940.

Um olhar rigoroso sobre a história recente

O projeto premiado dos alunos, que frequentam o curso de Línguas e Humanidades, nasceu no âmbito das aulas de História A, Cidadania e Desenvolvimento e incidiu sobre o tema “Vidas que contam: a situação no Iémen e a geometria variável dos Direitos Humanos em períodos de conflito armado“. O trabalho aborda, de forma profunda e rigorosa, um dos conflitos mais devastadores que persiste até hoje, resultando numa das piores crises humanitárias dos nossos dias, cruzando a análise crítica sobre os Direitos Humanos em contexto de guerra com a urgência de proteger a paz global na atualidade.

No seu trabalho, os alunos mergulham a fundo num conflito em que a população do Iémen enfrenta uma crise de desnutrição alarmante, com taxas a atingir 33%, consideradas críticas. A UNICEF alerta para os milhares de mortes iminentes devido a cortes na ajuda humanitária e distribuição inadequada de alimentos. Atualmente, metade das crianças com menos de cinco anos e 1,4 milhões de mulheres grávidas e a amamentar estão desnutridas.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou recentemente profunda preocupação com os desenvolvimentos no Iémen. Numa nota aos correspondentes datada de 17 de março de 2025, Guterres apelou a todas as partes envolvidas no conflito para que cessem as hostilidades e retomem as negociações de paz, enfatizando a necessidade urgente de aliviar o sofrimento do povo iemenita.

É imperativo que a comunidade internacional redobre os esforços para encontrar uma solução política para o conflito no Iémen e forneça o apoio humanitário necessário para mitigar o sofrimento da sua população.

Para avaliar os projetos de todo o país, o concurso contou com um painel de jurados de prestígio internacional na área das Relações Internacionais e Direitos Humanos, constituído pelo Embaixador António de Almeida Ribeiro, pela Diretora do Escritório em Londres do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Mónica Ferro e pela antiga Representante Especial do Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Marta Santos Pais.

O júri fez questão de sublinhar o mérito, a relevância e a qualidade técnica do trabalho desenvolvido pelos alunos da Escola Carlos Amarante.

A cerimónia e o reconhecimento 

Como reconhecimento deste feito, os alunos Leonor Fernandes, 11.º O, José Duarte Freitas, 11.º P e Maria Inês Sousa, 11.º R, foram convidados a marcar presença na Cerimónia de Entrega de Prémios, que teve lugar no dia 1 de julho, no Museu Aristides de Sousa Mendes – Casa do Passal. Pela conquista do 2.º lugar nacional, os estudantes irão receber um vale de 600 € para a compra de livros, material escolar ou equipamento informático, um excelente incentivo para o futuro académico que se avizinha. A cerimónia, para além do prestigiado painel de jurados, contou também com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal, Paulo Catalino Ferraz e com a presença do Cônsul de Vigo, João Bezerra. Nas várias intervenções foi dada importância à coragem de «estar no lado certo da história», evocando-se a ação de Aristides Sousa Mendes como «o benfeitor da humanidade».

Mais do que uma distinção escolar, este prémio recebido por este grupo de alunos espelha a missão do Agrupamento de Escolas Carlos Amarante de formar cidadãos conscientes, críticos e ativos na defesa de um futuro mais justo e pacífico.

O professor

Francisco Marinho