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Apresentação do livro ‘ De Chaves a Copenhaga’ deu a conhecer aos alunos da Escola Secundária Carlos Amarante a participação de Portugal na I Guerra Mundial.

O Grupo de História da Escola Secundária Carlos Amarante (ESCA) realizou no dia 4 de novembro, pelas 10h00, no seu auditório, uma sessão evocativa da primeira Grande Guerra Mundial.

“A Saga de um Combatente” é um livro nascido da admiração do neto pelo familiar combatente da sua saga de Chaves, mais propriamente do grande planalto do Brunheiro, até ao terror da frente ocidental na Flandres, trazendo a lume também as vivências e o diário de guerra, de fome, de frio, de doença, medos e morte, tudo isto vivido por um flaviense e contado na primeira pessoa em livro trazido à leitura pelo seu descendente: Gil Manuel Morgado dos Santos.

A sessão evocativa contou com a presença do neto de António Santos, que falou para as turmas do 12º O, 12º P e 12º R, do CCH de Línguas e Humanidades, e o 11º S, do CCH de Ciências Socioeconómicas, numa “aula” constituída pela visualização de parte do documentário “Portugueses nas Trincheiras” de António Louçã, produzido para a RTP. Terminada a visualização do documentário “o combatente António Santos,” entra intempestivamente na sala recitando algumas das quadras, e outras passagens do diário escrito em pleno campo de prisioneiros, após a Batalha de La Lys, e das razões emocionais que motivaram a sua edição.

“A 21 de Novembro
Dei entrada nas trincheiras
Era um toar de canhões
E metralhadoras ligeiras

Eu ainda nada sabia
O que era uma trincheira
Já entendia que nesta noite
Era a minha Derradeira

Perguntei se naquele campo
Tinham arrancado castinheiros
Responderam-me que eram covas
De granadas e morteiros

Logo que chegou o dia
Deitei a vista para o lado
E só se viam para por aqueles campos
Sepulturas de soldados.”

In facsimile – Diário de Guerra

As peripécias relacionadas com a libertação do 1º Cabo António Santos deliciaram uma plateia atenta. Através de uma narrativa emotiva e inflamada por parte do neto, Gil Santos, que, usando um uniforme idêntico ao do avô e falando sempre na primeira pessoa, trouxe à memória dos presentes as condições terríveis que os soldados portugueses enfrentaram na I Guerra Mundial. A viagem de regresso do 1º Cabo António Santos foi extremamente atribulada, sujeita a paragens em várias localidades, entre elas Copenhaga (situação que esteve na origem do título dado ao livro), tendo chegado apenas em meados de fevereiro de 1919 à sua aldeia natal. Referiu que o diário lembra muitas das agruras da guerra, recordando com ironia “uma lauta refeição três bolachas e um pouco de carne”.

A sessão encerrou com todos os presentes a entoarem o “Fado das Trincheiras” de Fernando Farinha.

O professor,

Francisco Marinho