Este vídeo nasceu numa das últimas aulas de Português Língua de Acolhimento (PLA), naquele momento em que “alguém” disse: “E se fizéssemos um registo do que vivemos?” – e pronto, estava lançada a ideia. Mais depressa do que se diz “pretérito perfeito”, começámos a dar-lhe forma.
Ao longo do percurso, os formandos foram verdadeiros exploradores da cidade: fizeram visitas guiadas a Braga (com guia e tudo!), passearam pela AGRO como verdadeiros agricultores curiosos, viajaram no tempo até à Braga Romana e conheceram os festejos de São João — balões, manjericos, pimentos e sardinha assada.
Partilhamos experiências, vivências, receios e muitas gargalhadas. Procurei estar sempre à altura do desafio e acolhê-los de coração aberto.
Aprendi com eles a palavra “fraternidade” em árabe, em mandinga, em chinês e, com os formandos sul-americanos, aprendi a dançar… com o coração. Fui até à Tunísia — não de avião, mas através das descrições apaixonadas dos seus lugares encantadores. Eles, por sua vez, aprenderam comigo o que é o “Fado”, sentiram a “saudade”, cantaram Carlos do Carmo com sotaque e alma e ouviram Ary dos Santos como quem escuta um segredo antigo.
Santiago de La A Gonçalez — licenciado em Marketing pela Universidade do Equador — foi o mestre das artes visuais na realização deste vídeo. Juntos, escolhemos imagens, recolhemos canções, fotografias, palavras e memórias. Reunimos risos e sorrisos, e construímos este vídeo como quem monta um puzzle daquilo que fomos vivendo: Braga, com olhos curiosos e corações abertos. Porque, como sabemos, a brincar também se aprende… e muito!
Em latim, “acolher” diz-se accipere (receber, aceitar) ou acolligere (reunir, juntar). E foi isso mesmo que procurei fazer: recebi, juntei, acolhi estas pessoas incríveis que chegaram a Portugal carregadas de esperança — esperança num futuro mais seguro, mais digno, mais seu.
Hoje, todos estudam, todos trabalham, todos são gente de bem. Gente com histórias, com vontade, com sonhos maiores do que as fronteiras que os tentaram limitar. Não nos esqueçamos da canção de Zeca Afonso “Em terras, em todas as fronteiras, /Seja bem-vindo quem vier por bem.”
E se, como tão bem disse Henry Wells, “a nossa verdadeira nacionalidade é a Humanidade” que este vídeo seja uma pequena homenagem a esse espírito de partilha, de afeto, de vontade de recomeçar, tão necessário, tão urgente, nesta Europa que às vezes parece um bocadinho esquecida de si mesma.
A professora/formadora Maria Inês Martins
Participaram neste vídeo
- Inês Martins
- Andrez Alvarez
- Guzman Colmenares
- Islem Kouiki
- Khireddine Khezar
- Luís Diaz
- Mamadou Jallow
- Martha Ochoa
- Mercy Campoverde
- Mouadh Yahyaoui
- Santiago de La A Gonzalez
- Victor Moke
- Zgaou Mohamed



